“Ela ria, ele fazia as palhaçadas. Ela era a responsável, ele o desorganizado. Ela era diferente, ele sabia. Ela sempre sorria, ele sorria de volta mas ele também sabia que não era normal seu coração acelerar com apenas um gesto qualquer provido dela.”
(ele a levanta e a carrega nos braços)
- Me solta.
- Não.
- Me põe no chão, por favor.
- Não quero.
- Me põe no chão, infeliz.
- Você fica tão linda irritada…
- Você também deve ficar lindo com um olho roxo.
- Calma aí, nervosa. Só te ponho no chão se você disser uma coisa.
- O que?
- Diz que me ama.
(ergue-se até que sua boca esteja na altura dos ouvidos dele)
- (sussurrando) Eu amo você.
- Não, agora não acredito mais.
- E posso saber por quê?
- Você só disse porque eu pedi.
- Euamovocêeuamovocêeuamovocêeuamovocêeuamovocêeuamovocê.
- Agora me beija.
- Vai borrar o batom.
- E dai?
- Você quer ficar com batom na sua cara?
- Por mim tudo bem.
- (risos) Otário.
- Mas sério, qual o problema?
- A gente vai sair daqui a pouco e eu não quero borrar meu batom vermelho.
- Tá bom.
- Me põe no chão?
- Vou pensar no seu caso…
- Vai gordo, me põe no chão.
- Pronto. Satisfeita?
- Agora vem comigo.
- Pra onde?
- Pra sala.
- Mas por quê?
- Você quer ficar nesse quarto pra sempre?
- Com você eu quero.
- Deixa de ser idiota (risos).
- (risos) Otária.
- Vem logo.
- A gente já vai sair?
- Vamos.
- Mas… preciso de uma coisa.
- O quê?
- Olha pra mim.
- Tô olhando.
- Chega mais perto.
- E agora?
- Entrelaça suas mãos nas minhas.
- É uma pena que elas se encaixem tão direitinho.
- Uma pena?
- É.
- E por quê?
- Para de perguntar o porquê das coisas.
- Mas eu quero saber.
- É uma pena porque você é otário.
- Eu vou borrar seu batom.
- Não vai não.
- Então eu vou te fazer cócegas.
- Não não não não não, eniaotil (risos).
- Então olha pra mim.
- Eu tô olhando.
- Você tá olhando pra os nossos dedos.
- Eles são engraçados quando estão entrelaçados.
- (risos) Para com isso, otária.
- Você não gosta?
- Quero que você olhe pra mim agora.
- Pronto, parei. O que foi?
- Eu amo você.
- (silêncio)
- Eu disse que amo você.
- Eu sei, eu ouvi.
- Então…
- Só preciso de um tempo pra analisar e saber se é verdade…
- Mas eu te amo.
- Eu amo mais.
- Não ama não.
- Amo sim.
- Claro que não.
- Sim.
- Vá à merda.
- Eu já tô na merda.
- Por quê?
- Me apaixonei por você.
“Meus olhos brilhavam. E não era por acaso, eles estavam olhando pra você.